SÍNDROME DE BURNOUT E O EXCESSO DE TRABALHO: AS INTERSECÇÕES ENTRE A EXAUSTÃO PSÍQUICA, O DESGASTE OCUPACIONAL E AS CONSEQUÊNCIAS PSICOSSOCIAIS NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO

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Erica Fernandes da Silva
Fernando Correa dos Santos

Resumen

O fenômeno da Síndrome de Burnout, reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno relacionado ao trabalho, constitui-se em uma resposta psicofisiológica ao estresse crônico oriundo de demandas laborais excessivas e prolongadas. Conforme os modelos clínicos mais difundidos, o Burnout manifesta-se por um padrão tripartido de sintomas, envolvendo esgotamento afetivo, distanciamento interpessoal e sensação de ineficácia profissional, elementos que, conjugados, produzem um profundo esgotamento das reservas físicas e mentais do indivíduo. O presente artigo tem como objetivo analisar o Burnout enquanto consequência direta do excesso de trabalho, elencando seus impactos sobre a saúde mental, o desempenho funcional e as relações interpessoais. A metodologia adotada é de natureza qualitativa e descritiva, contemplando estudos clássicos e contemporâneos nas áreas da Psicologia Organizacional, Medicina do Trabalho e Saúde Pública. Os resultados apontam que a cultura da hiperprodutividade, o prolongamento das jornadas laborais e a dissolução dos limites entre vida pessoal e profissional têm se configurado como fatores preponderantes para o desenvolvimento da síndrome. Ressalta-se, ainda, a correlação entre o Burnout e o aumento de sintomas depressivos, distúrbios do sono, comprometimento cognitivo e isolamento social. Conclui-se que o Burnout ultrapassa o campo da saúde individual, representando um problema psicossocial e institucional, que requer intervenções multidisciplinares, políticas organizacionais preventivas e práticas de autocuidado sustentadas. A promoção de ambientes laborais saudáveis, o fortalecimento do suporte psicossocial e o reconhecimento da saúde mental como eixo estruturante das relações de trabalho constituem medidas urgentes para a mitigação desse quadro. O estudo reafirma a necessidade de compreender o Burnout não como fragilidade pessoal, mas como um reflexo das disfunções sistêmicas da cultura laboral contemporânea.

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